Técnico do Internacional é vítima de caso revoltante de racismo
O técnico do Internacional, Roger Machado, foi alvo de ataques racistas nas redes sociais após a eliminação do clube nas oitavas de final da Libertadores. O Internacional perdeu para o Flamengo por 2 a 0 e deixou a competição. Entre os comentários dirigidos ao treinador, estava um que dizia: “Tendo o macaco do Roger como treinador não é de se esperar menos”, publicado no X (antigo Twitter). Roger é reconhecido por seu engajamento no combate ao racismo no futebol brasileiro.
A advogada especializada em direitos humanos Alessandra Ambrogi explicou que os ataques configuram crime de racismo conforme a Lei nº 14.532/23. A legislação prevê pena de até cinco anos de reclusão, multa e classifica o crime como inafiançável e imprescritível. Os torcedores responsáveis podem ser identificados, processados criminalmente e punidos de acordo com a lei.
No âmbito esportivo, a Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/23) e o Código Brasileiro de Justiça Desportiva preveem sanções para atos de discriminação racial cometidos por torcedores. Entre elas estão proibição de acesso aos estádios, perda de mando de campo, multas e, em casos extremos, exclusão de competições.
Roger Machado é vítima de racismo
A Confederação Brasileira de Futebol e os clubes têm a responsabilidade de adotar medidas de prevenção e repressão. A FIFA mantém política de tolerância zero, podendo aplicar jogos com portões fechados, perda de pontos ou exclusão de torneios.
Casos de racismo no futebol não se limitam ao Brasil. Na Inglaterra, a zagueira Jess Carter foi atacada racialmente durante a Eurocopa 2025, e um torcedor do Liverpool foi banido dos estádios por insultos ao atacante Antoine Semenyo. Na Alemanha, episódios de racismo ocorreram em partidas da Copa da Alemanha, e a federação abriu investigações.
Marcelo Carvalho, do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, destacou a desumanização frequente contra atletas negros e a necessidade de usar o futebol como ferramenta para combater o racismo. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, classificou os episódios como inaceitáveis e reforçou que não há espaço para discriminação no esporte.