Seleção pode ficar de fora da Copa do Mundo de 2026
A seleção italiana, tetracampeã mundial, vive um momento de incerteza e risco real de ficar fora da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva. Após as ausências em 2018 e 2022, a Azzurra tenta se segurar no Grupo I das Eliminatórias Europeias, mas precisa reagir imediatamente para evitar novo desastre. Comandada por Gennaro Gattuso, a equipe ocupa a segunda colocação, atrás da surpreendente Noruega, e encara duelos decisivos contra Estônia (fora de casa) e Israel (em casa) nos próximos dias.
Falta de craques no ataque: o calcanhar de Aquiles
Enquanto a Itália ainda revela bons goleiros (de Buffon a Donnarumma) e mantém tradição na defesa e no meio-campo (nomes como Chiellini, Bastoni, Jorginho, Barella e Tonali são exemplos), o setor ofensivo é o que mais preocupa. Atualmente, a dupla de ataque conta com Mateo Retegui (argentino naturalizado, que joga na Arábia Saudita) e Moise Kean, que oscila há anos.
“Os times italianos têm muitos estrangeiros. Isso prejudica os jovens jogadores italianos, porque é como cortar as asas de um pássaro”, criticou Massimo Franchi, jornalista do Tuttosport, que ainda condenou o amadorismo nas categorias de base e a cultura tática defensiva enraizada desde cedo.
Formação travada e dependência de naturalizados
A formação de atacantes na Itália parece ter estagnado. Desde 2000, o número de artilheiros italianos na Serie A despencou. Nos últimos 10 anos, apenas Ciro Immobile (três vezes) e Fabio Quagliarella foram artilheiros do campeonato nacional. O resto da artilharia ficou com estrangeiros.
Em contrapartida, a seleção tem recorrido à naturalização em massa. Vestiram a camisa azul nos últimos anos nomes como Éder, Jorginho, Emerson Palmieri, Rafael Tolói, entre outros – todos brasileiros de origem.
Problemas táticos e técnicos: Gattuso na berlinda
No banco, a escolha por Gattuso foi questionada desde o início. Apesar de sua garra como jogador, como técnico seu currículo tem apenas um título: Copa da Itália 2019/20 com o Napoli. Não por acaso, muitos enxergam nele mais um “motivador” do que um estrategista de alto nível.
“Gattuso tem um coração imenso, mas tem seus limites… Ele é quase um treinador sombra”, apontou novamente Franchi.
A estreia foi positiva, com vitória por 5 a 0 sobre a Estônia, seguida de uma suada vitória por 5 a 4 contra Israel, ambas em casa. No entanto, os próximos jogos prometem ser um teste de fogo.
Falta de intensidade e “efeito Guardiola” negativo
A crítica vai além da seleção. Para nomes como Philipp Lahm e Fabio Capello, a intensidade do futebol italiano é baixa, o que trava a evolução dos atletas. Capello destacou ainda o efeito colateral do “Guardiolismo”, que teria transformado os meio-campistas italianos em jogadores passivos, voltados a passes laterais ou para trás.
“Nas academias, os jovens são instruídos a manter a posse e tocar para o goleiro, em vez de buscar a criatividade e o gol”, disparou Capello, após derrota por 3 a 0 para a Noruega, em junho.
Situação nas Eliminatórias: matematicamente viva, mas no fio da navalha
A Itália é vice-líder do Grupo I, com 9 pontos, atrás da Noruega (15) e empatada com Israel (9), mas com um jogo a menos. Restam quatro rodadas, e a Azzurra precisa pontuar forte contra Estônia e Israel, além de torcer por tropeços dos rivais.
Se terminar em segundo lugar, a seleção terá que disputar os temidos Playoffs, onde caiu para Suécia (2018) e Macedônia do Norte (2022). Um terceiro lugar sela a eliminação direta.
Análise: Itália precisa mais que bons nomes, precisa se reinventar
A Itália ainda possui bons jogadores, mas falta um projeto de seleção, com identidade clara, formação moderna e um técnico de peso. O país não tem problema de estrutura ou torcida – tem problema de visão e coragem para mudar. A insistência em soluções paliativas, como naturalizações em massa ou treinadores sem resultados expressivos, tem levado a Azzurra a repetir erros.
A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história, com 48 seleções. Ficar de fora mais uma vez não seria só vexatório, seria prova de que a Itália ainda vive do passado, enquanto o futuro segue sendo adiado.
Próximos Jogos da Itália:
- Estônia x Itália – Sábado (fora de casa)
- Itália x Israel – Terça-feira (em casa)